Crise na USP é expressão de tensões acumuladas em um sistema que precisa se reinventar diante das transformações do século XXI.

A recente ocupação da Reitoria da USP por estudantes trouxe novamente à superfície um debate que ultrapassa em muito os limites da universidade paulista. Mais do que um episódio localizado, ela expõe dilemas presentes no ensino superior no Brasil e em boa parte do mundo.
Alguns evangélicos avançam no bom caminho, enquanto bolsonaristas se mostram cada vez mais fanáticos

Há esperança na luta contra a violência e a misoginia. Se a Igreja cresce, o crime contra a mulher e a criança tem que diminuir, pregou a Pastora Helena Raquel, 47 anos, mãe de uma menina de 18 anos, recém adotada. Na semana passada, a pastora provocou a ira da maioria dos líderes evangélicos ao conclamar os fiéis a denunciarem pastores abusadores.
Para britânicos, Sir David Attenborough é uma verdadeira instituição – como o chá da tarde, o metrô ou a eterna conversa sobre o tempo

Um dos maiores cartões-postais de Londres, os telões luminosos da famosa Piccadilly Circus deram lugar, no último dia 8 de maio, a uma homenagem especial: a celebração do centenário do naturalista Sir David Attenborough.
Brasil precisa acompanhar de perto as grandes consequências globais da maior disputa geopolítica do século 21

Depois de uma discreta audiência há sete dias na Casa Branca com Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai assistir, de longe, ao encontro do líder americano com o presidente da China, Xi Jinping. E observar as ondas que se espalharão pelos cinco continentes após a reunião de cúpula.
Talvez o maior sucesso não seja conseguir comprar tudo o que desejamos, mas não transformar a existência numa busca infinita por coisas

Existe uma armadilha silenciosa no modo como aprendemos a viver no Brasil. Trabalhamos demais para consumir demais, e nessa luta insana sacrificamos o que jamais poderá ser comprado de volta: o tempo.
Saudações amazônicas, minha querida Ministra Marina!

Ministra, por que essa imensa vontade de nos manter vivendo longe do nosso querido Brasil? Só existem três territórios brasileiros que não se ligam por estradas com o Brasil que tanto amamos e que tanto nos castiga: a paradisíaca ilha de Fernando de Noronha e os Estados do Amazonas e Roraima.
Busca e apreensão na casa do senador Ciro Nogueira

Se a política em Brasília funcionasse como uma bolsa de valores, teríamos visto ser acionado na semana passada um “circuit breaker”, mecanismo que interrompe os negócios em razão de alguma situação extraordinária que cria pânico entre os investidores e compromete a percepção de valor dos ativos.
A ideia de que o Papa deva se tornar o nêmesis de Trump é uma fantasia infantil e perigosa.

Em 8 de maio de 2025, logo após sua eleição como Papa, enquanto as guerras em Gaza e na Ucrânia assolavam o país, Leão XIV bradou da sacada da Basílica de São Pedro: “Parem as guerras!” Quantas guerras terminaram naquele dia? Nenhuma. Contudo, se Netanyahu e Putin tivessem dado a ordem, os massacres em Gaza e na Ucrânia teriam cessado imediatamente. Isso é poder político: poder real, coercitivo, executivo. Às vezes, parece que se esquece que o Papa não possui nenhum poder político e que a era dos papas guerreiros acabou. É verdade que o Papa continua sendo o chefe de um Estado, e um Estado teocrático; mas essa verdade requer ressalvas, especialmente quando lembramos que o tamanho médio de um rancho americano é quatro vezes maior que o Vaticano, cuja população representa menos de 1% da força de trabalho do supermercado Mercadona. Em outras palavras: aproximadamente o mesmo que o Irã ou a Arábia Saudita, Estados teocráticos por excelência.
A guerra saiu das trincheiras e entrou nas redes

A imagem clássica da guerra — tanques avançando, aviões rasgando os céus, soldados ocupando territórios — já não é suficiente para explicar os conflitos contemporâneos. O campo de batalha mudou. Hoje, a guerra moderna não se trava apenas com exércitos, mas com infiltrados, narrativas e sombras.
Depois de um vendaval de más notícias, Lula respira e vê seu principal adversário ser atropelado pelo tsunami Master

Dita e redita, a frase do mineiro udenista e golpista Magalhães Pinto (1909-1996) – “Política é como nuvem; você olha está de um jeito, olha de novo e ela já mudou” – continua vivíssima, embora longe da calmaria que a contemplação do céu pressupõe. Ao contrário. Muitas das mutações passaram a se assemelhar a furacões, a exemplo das investigações do escândalo do Banco Master, e tempestades, como as que atingiram o presidente Lula há exatos 10 dias.
O escândalo Master é o retrato bem desenhado das relações do mundo econômico com a política no Brasil.

Ciro Nogueira, presidente do Progressista, Senador pelo Piauí, Chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, entre agosto de 2021 e dezembro de 2022, expoente do Centrão, estava no bolso de Daniel Vorcaro. Recebia mesada de 300 mil reais (500 mil?) para ajustar os interesses do banco ao processo político. Foi ele o autor deprojeto de emenda – não aprovado – elevando de 250 mil reais para um milhão a responsabilidade do Fundo Garantidor de Créditos, o que daria mais folga para o banco continuar a vender títulos falsos, cujo prejuízo seriacoberto por outras instituições financeiras. Uma esperteza bancária, coberta por esperteza político-partidário. E tudo isso tem valor. O representante do Piauí cobrou caro, mas foi desmascarado pela Polícia Federal. Está na mira do Supremo Tribunal Federal.
Uma vez um amigo me perguntou se os grupos de discussão são “menos científicos” do que as pesquisas quantitativas

Toda ciência tem o seu espaço, segundo sua formulação, metodologia, e capacidade de previsão, como descrito nos trabalhos de Carl Hempel, “The Philosophy of Natural Sciences”, e Max Weber, “The Methodology of the Social Sciences”. As Ciências Físicas têm maior grau preditivo, pela maior simplicidade dos eventos a que se referem. As Ciências Sociais também apresentam capacidade preditiva, uma vez que definidos os conceitos a lógica rege os fenômenos, com menor alcance do que a Física devido ao fato de que o comportamento e os valores humanos mudam ao longo do tempo, havendo a necessidade de serem sucessivamente interpretados, no que Simon Schwartzman diz que as Ciências Sociais se caracterizam pelo “Dom da Eterna Juventude”
O Maranhão, com justa autoridade, reivindica ser a Pátria Brasileira do Bumba Meu Boi

Quando maio aparece, no Nordeste é recebido não apenas como o mês das noivas, mas principalmente como o tempo que antecede o São João. E logo começam a esquentar os tambores e ensaiar as brincadeiras que fazem do nosso São João a festa mais popular da região. Não se sabe bem como começou, de onde veio, mas sabe-se como foi absorvendo o momento em cada ano e incorporando novos estilos e outras brincadeiras — como são chamadas as diversas apresentações —, de tal modo que as danças portuguesas estão sendo também apresentadas como folguedos populares do São João, principalmente no Maranhão.
Na Constituição, inexiste uma expressa segregação entre tributos arrecadatórios e regulatórios

A crônica incapacidade de enfrentar os déficits fiscais pela via do corte de despesas, que ao contrário seguem uma consistente trajetória de crescimento, explica a compulsiva política de elevação dos tributos, mesmo quando dela resulte a derrogação de conceitos tributários que se presumia consolidados.
Vale a pena revisitar o livro “A Diplomacia na Construção do Brasil”, do embaixador Rubens Ricupero

Durante a Primeira Guerra Mundial chegou um momento em que travou geral. Tropas da França e Alemanha esgotaram seus recursos materiais e táticos, ao ponto de nenhum dos lados conseguir avançar sobre o inimigo. De 1915 a 1917 escaramuças sangrentas eram travadas ao longo de trincheiras quilométricas, sendo impossível identificar um lado vencedor. Naquele formato só havia perdedores. O quadro só mudou com a adoção de novas tecnologias (tanques e aviões) e a entrada dos soldados e dólares do Tio Sam na briga contra os alemães.


